60 anos Evaldo

 

Essa história começa a ser contada há 60 anos, quando em 25 de setembro de 1954, nascia o 15 filho de Abel Mariano Lana e Madalena Pereira Lana, a quem deram o nome de Evaldo Pereira Lana. Era um garoto muito tímido, inteligente e criativo. Gostava de criar os próprios brinquedos, e também os brinquedos dos seus irmãos. Os brinquedos fabricados por ele eram muito divertidos, principalmente os carrinhos feitos com carretel de linha, que depois foram evoluídos com rodas de madeira, direção e freio. Ah, aí era uma festa. Os carrinhos eram colocados à prova na descida da ladeira, e era uma grande farra. E no paiol de milho, ele fazia os trapézios e montava um pequeno circo, onde se divertia com seus irmãos. Se caíssem do trapézio, eram amortecidos pelas espigas de milho e palha espalhados pelo chão. Mas ele também era um garoto pirracento. Chorava muito e fazia muita pirraça. Por causa disso, e por ser muito tímido e agarrado com sua mãe, foi muito difícil fazê-lo ir pela primeira vez à escola. Chorava muito...

Ele não gostava quando pediam para ir à rua comprar algo. Tinha medo dos “cavalos puladores”. Esses eram os cavaleiros da roça. Alguns cavalos pulavam, levantavam as patas, e como ele era pequeno, ficava assustado. Ele dizia ter muito medo. Era pedir para ele ir à rua comprar algo, e ele já não gostava, justamente por causa dos “cavalos puladores”. Muito preocupado com a sua alimentação e saúde, sempre gostou de comidas saudáveis. Algumas talvez um pouco estranhas, como por exemplo, a terrinha fina do quintal da casa em Jurumirim. Ele gostava de comer essa terra. Seu irmão mais velho, Zé Lana, chamava sua atenção, e dizia: “Só não pode comer terra”! E sabem o que ele fazia? Chorava, e muito...

Evaldo também sempre foi muito religioso, daqueles que não só vão à missa todos os domingos, mas também muito ativo na comunidade que participa. Na comunidade São José Operário, atua ativamente na catequese da crisma, e já participou por muito tempo do Grupo Jovem Vila Bretas, o Vilão. Hoje ele é o padrinho dessa turma. Também sempre está pronto para ajudar a Igreja a desempenhar os papéis em prol da comunidade. E foi assim desde pequeno, pois ele gostava muito de ir às missas aos domingos. E depois da reza, ele ia engraxar os sapatos dos fiéis na porta da igreja, para ganhar um troquinho. O tio Renato o ajudava, mas não gostava muito porque precisava colocar uma roupa mais velha, para não sujar a “roupa de missa”.

E o garoto inteligente e criativo foi crescendo. Certa vez foi convidado a morar em Rio Casca, na casa de sua madrinha, tia Guidinha, para estudar. Mas como era muito tímido, não quis ir. No lugar dele, seu irmão mais pra frente Renato, então foi. Foi em 1967, incentivado pelo irmão Bonifácio, que Evaldo, sua mãe e todos os irmãos se mudaram para Valadares. E neste lugar ele continuou a escrever uma grande história de vida. Não demorou muito, começou a trabalhar, vendia doces e geleias feitos pela vó Madalena no Armazém Lana. Uma de suas primeiras aquisições com o dinheiro que ganhava do trabalho foi uma bicicleta. Gostava de passear, sempre levava o irmão mais novo Anésio no cine Odeon (o velho conhecido Poeira) para assistir aos faroestes. Algumas vezes também foram no Cine Palácio, que era considerado mais chique. Um dia eles foram à inauguração da praça do bairro de Lourdes, que tinha até TV. Ele gostava muito de ir lá. Sabe se lá se nesta época ele já não estava de olho na Marcinha...

E então a vó Madalena conseguiu um emprego para ele em uma relojoaria. Ele rapidamente aprendeu a consertar os relógios, a sua inteligência e curiosidade o ajudaram muito neste trabalho. O Elcio Queiroz dizia que ele era um dos melhores relojoeiros de GV, e logo estava sendo disputados por outras relojoarias. Trabalhou em umas três ou quatro. Sempre gostou também de eletrônica, gostava de desmontar, consertar e montar tudo que tinha em casa.

Mais tarde ele foi estudar no GOT e Eteit, e assim que concluiu o segundo grau, foi contratado pela Cenibra. Esta empresa no qual ele dedicou intensamente, desde a implantação da fábrica, e por onde criou uma grande paixão, temos certeza disso. A Cenibra foi um grande marco, além de um alicerce, para a vida profissional e pessoal dele. Ali ele conseguiu construir uma grade carreira, fundou grandes amigos, se tornou graduado e depois pós-graduado, ergueu um lar e que posteriormente serviria de base para a grande família que temos hoje. Também pôde, junto com seus outros irmãos, ajudar toda a sua família, que nesta época já era grande.

E então em 1974 ele começou a namorar a Marcinha. Eles se conheceram no grupo Vilão, da Igreja São José. Como acontece em alguns namoros, tiveram algumas idas e vindas também. Até que um dia ele disse à Marcinha que iria terminar o namoro. Imagina só a situação dela, quase morreu de tanta tristeza. Mas aí ele disse que iria começar outra fase do relacionamento: o noivado. Coisas de Evaldo né...

Em 25 de julho de 1980 eles subiram ao altar para celebrar esta união. Uma bela união que teve como frutos 3 filhos: Tatiana, Tiago e Túlio. Uma bela família você constituiu. Juntos vocês nos deram educação, tivemos condições de estudar em boas escolas, e tivemos uma boa base familiar para definir os nossos futuros. Hoje, todos nós formados, estamos em busca de nossos sonhos pessoais, tendo como referência toda a história que você já escreveu até hoje, uma trajetória de muito sucesso e de muitas conquistas. E como não lembrar também de nossas grandes viagens de férias... A cada ano, um destino diferente, para conhecer lugares novos... Seja conhecer os lugares mais simples ou até mesmo posar em frente à torre Eiffel ou ao Vaticano, nossas viagens sempre foram bem divertidas e bem aproveitadas. Foram todas muito boas.

Enfim, são muitas histórias, muitos momentos felizes, alguns momentos de tristeza que fazem parte da vida de qualquer um. Poderíamos falar ainda mais, de tantas outras coisas que aconteceram durante todos esses anos. Ainda assim, temos a certeza que lembramos muitos momentos importantes, onde muitas pessoas que estão aqui hoje se lembraram e fizeram parte dessa história, e por este motivo, estão aqui para celebrar com você esses 60 anos bem vividos. Você é para nós um exemplo de honestidade, inteligência, dedicação e preocupação com todos. Você nos ensinou a conquistar as coisas que queremos, e que nem sempre o que queremos é nos dado no momento em queremos. Para isso, precisamos ter paciência para esperar o momento certo de Deus.

Hoje estamos aqui para celebrar tantos momentos marcantes que se passaram durantes esses anos. Agradecer a Deus pela sua saúde e por termos o privilégio de conviver com você durante todo esse tempo. Enquanto escrevia este texto, pensava em vários adjetivos que poderiam defini-lo. Me lembrei que para muitos, o pai é um herói. Muito bem, procurei então a definição de herói: para os gregos, herói é o nome dado aos grandes homens divinizados. Aquele que se distingue por seu valor ou por suas ações extraordinárias, principalmente por feitos brilhantes durante a guerra. Sim, então posso te chamar de herói. A guerra aqui representa todo o esforço que você teve para constituir uma família unida como a nossa. E juntamente com nossa mãe, dar o melhor de educação aos seus filhos, de não medir esforços para que nada faltasse em nossa casa. Seja trabalhar durante o dia ou durante a noite, mas depois de um turno cansativo de trabalho, chegar em casa e ter tempo para dar atenção a todos.

Mas também sinto que você é sinônimo de proteção. Temos a certeza de que com você ao nosso lado, nenhum mal poderia nos atingir, pois você seria nosso escudo. Nem mesmo quando estávamos sobre a bicicleta sem rodinha, e você vinha correndo atrás segurando para não cair. E você diz: “Olha pra frente, confia no seu pai, pedala que você não vai cair...” E a gente continuava, com a certeza de que você estava ali, para nos proteger de algum perigo. Mas tinha hora que a gente olhava para trás, e você estava nem tão longe que não conseguiria nos proteger, mas nem tão perto a ponto de nos deixar seguir sozinho. E nessa hora, a gente desequilibrava e acabava caindo no chão. Até que depois de muitos tombos, aprendemos a lição: precisamos aprender a caminhar sozinho, precisamos olhar pra frente, encarar de cabeça erguida as adversidades da vida. Mas se em algum momento eu me desequilibrar, você estará por perto para nos dar apoio. E assim continua até hoje...

Bem pai, contamos aqui algumas das histórias que lembramos, momentos em que vivemos juntos e que sempre estarão em nossa memória. Mas sabemos que muitas outras histórias fizeram parte da nossa vida durante todos esses anos. O que queremos retratar com essa pequena homenagem é o carinho e gratidão por tudo que fez por nós, e que até hoje continua fazendo. Hoje nós temos que agradecer a Deus por esse grande presente que é você, esbanjando saúde, sempre atencioso e carinhoso com todos, escutando mais do que falando, mas quando ouvimos sua voz, o que escutamos são grandes ensinamentos. Que Deus continue te abençoando, derramando sobre você muita sabedoria e muita saúde para que continue a escrever belas histórias, onde todos nós que estamos aqui fazemos questão de participar. Desejamos à você um feliz aniversário, por esses 60 anos bem vividos e de muitas conquistas, por isso estamos todos aqui hoje para te desejar tudo de melhor e comemorar junto com você.

Com carinho, Marcinha, Tatiana, Tiago e Túlio

25/09/2014